Era ainda agosto,
uma sexta longa e pesada estendida pelos olhos,
pelo peito,
era o fim,
não de uma semana, mas de um longo e dolorido tropeço em coisas que achava suas.
E não eram.
Era ainda agosto, mês de cachorros loucos e loucos outros tantos animais,
(muito mais bestas do que animais, eram gente como a gente), era agosto e tudo corria e pouco fazia sentido.
Era um quarto vazio, escuro, cheio de velhos móveis,
antigos,
bolor e descaso,
nada de vivo ali respirava, nada ali fora tocado.
Mas a mão que costurava a folha, recortou janelas, escancarou um olho e depois o outro (e o sol se pondo, vermelho, naquela água).
Era ainda agosto, mas tudo que fora rasgado, posto no lixo, virou folha e pétala, página e capa, e eram mãos que costuravam
mais que cadernos,
reconstruíam o mundo inteiro:
o sol no meio da colcha de retalhos,
as janelas escancaradas
e a noite.
Mas o sol não adormeceu, seguiu abrindo portas e janelas e disse:
“aqui, nada disso mais vai ficar”.
E naquele antes escuro quarto,
agora brotam gerânios
com seus vermelhos pensamentos,
os passarinhos esvoaçam suas asas nos parapeitos,
e no calendário
pode ainda ser agosto,
mas no peito ela agora sente
que tem casa,
flor e um amor.
Que veio pra ficar.

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