“O pão de aveia, as maçãs no cesto,

o vinho frio,

ou a candeia sobre o silêncio.

Ou a minha tarefa sobre o tempo.

Ou o meu espírito sobre Deus.

Digo: minha vida é para as mulheres vazias,

as mulheres dos campos, os seres

fundamentais

que cantam de encontro aos sinistros

muros de Deus.

As mulheres de ofício cantante que a Deus mostram

a boca e o ânus

e a mão vermelha lavrada sobre o sexo”.

(Herberto Helder – Lugar, III. Em ‘Ou o Poema Contínuo’).

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