colocamos mais do que toalha, talheres, panelas.
É sobre a mesa que nossas mãos desenham futuros
é debaixo da mesa, que nossos pés dançam músicas de ontem e hoje,
é entre as cadeiras que, às vezes, (n)um roçar de poema distante nos comove
nos move
para pratos e bocas (des)conhecidos.
Tem vezes que a gente lembra
em outras esquece
temos sede ou fastio
temos medo(s) e fome(s) de todo tipo: vegetais, carnívoras, aquosas, cheias de molhos (ou em brasa), temperadas ou insossas, cruas, cozidas, al dente, ensopadas, grelhadas…
Mas é também sobre a mesa que depositamos alguma esperança de que, em dias futuros (que não seja nem tão longe, nem tão duro), as pessoas possam comer e compreender o alimento como parte do(s) nosso(s) corpo(s) político, poético, carnal.
Nós, que temos pão.

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