“Meu coração bate desamparado
onde minhas pernas se juntam.
É tão bom existir!
Seivas, vergônteas, virgens,
tépidos músculos
que sob as roupas rebelam-se.
No topo do altar ornado
com flores de papel e cetim
aspiro, vertigem de altura e gozo,
a poeira nas rosas, o afrodisíaco,
incensado ar de velas
– a santa sobre os abismos –
À voz do padre abrasada
eu nada objeto,
lírica e poderosa.”

(Adélia Prado – Lembrança de maio. Poesia Reunida. Siciliano, 1991)

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