Pelas frestas da alma, a luz entra: cheiro de madeira, tinta, e vermelhos. Sou semana, horas e meses, de ventos e temporais.
Na cozinha, panelas e temperos, vinhos e exageros: e a fome.
A fome.
Espalhadas páginas rascunham histórias, romances, jornais. Nas folhas da violeta, a poesia afinal: gotas de chuva, verso noturno.
A noite então cala:
– Recita-me. – e no escuro te sei decor.
Mas a luz continua a entrar: pelos dedos entreabertos das mãos inexatas. O cheiro vermelho, de tinta e madeira. Em semanas, horas e meses, sou uma vida inteira à tua espera. Nos temperos e vinhos, panelas e fomes. Nas histórias espalhadas, folhas de poesia choviam e floresciam violetas.
A noite fala:
– Meu escuro. – E tu, estrelada.
E a luz,
a luz pelas frestas, pelos dedos, pelos olhos, ventos e vermelhos,  poesias e violetas.
A noite sussurra:
– poema-me. – e pelas frestas do tempo, horas, meses e anos, cheiro de tinta, madeira e temperos, a luz entrou noite adentro, com vinhos, vermelhos e ventos,
e as mãos e as fomes.

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