Porque de manhã ela acordava alva, cálida, calma: sem máculas, de dia recém nascido. Suas íntimas partes, abertas, lentas, e doadas assim, sem dor pura flor. O sol amanhecido, beija-lhe a pele, tão clara, alma limpa.

Não se sabe se foi a ausência de cor, algum amor ou pensamento lúbrico, mas o rubor foi subindo, tomando conta, rosando e roçando, o branco se fez rosa:

– Louca, diriam alguns.

Colorida, cheia de doces e perfumes. Mais fácil dizer-lhe louca, quando talvez estivesse alegre, cheia de sonhos, de bocas beijos pés e cheiros.

Horas passam, sol se põe, noite que chega e ela toda rosa:

– Mais louca ainda!, olhos descoloridos insistem em gritar.

Não. A tal rosa-louca, de branca se faz rosa, de dia se faz noite, de menina se faz mulher. Não é louca não. É Hibiscus Mutabilis, por favor. Nome e sobrenome. É linda, é branca, é rosa, e louca, se quiserem. Porque na loucura ela tem amor. E porque louca, ela se faz cor.

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