Que coisa insuportável essas pessoas que, apaixonadas, só sabem falar de amor. E que, com caras de bobas, desenham corações, sorriem para um smarthphone (nem tão smart), como se estivessem a ver o mar.
Que coisa chata achar que o mundo está mais leve, apesar de tudo. Que a música brega toca, agora como trilha última, cantada pelos corredores, sem vergonha de ser feliz.
Que coisa é essa, de cartas ridículas,
de frases rosas,
corações vermelhos,
de textos chatos,
que só sabem falar de amor?
Que cara é essa,
ali no espelho,
perdida na névoa do banho,
ao lado desse “eu te amo” escrito no vidro,
puro orvalho, suor e saliva?
Tão clichê, tão lugar (in)comum.
Tão inverno e verão.
Tão eu e você.

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