Começou com aquela brisbrisa: pela boca, leve feito borboleta, esvoaçava palavra e pensamento. No frio era névoa que envolvia rosto e olhar, dos lábios, vulcão ainda nascente, só rumor. Mas veio um dia assim, de “Era uma vez”, rodopiou-se toda, enrolou e desenrolou ideia, fato e caso: não era uma vez apenas, eram duas, três, uma centena de eras que já não tinham mais vez. Ela viu as asas abertas, o todo azul, as batidas na porta: era janela que se abria, era paisagem, corpo e sussurro.
De verão se fez inverno, no outono desvestiu-se toda:
nua
crua
tua.
Ela era vento, trazendo a primavera.

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