A nota do acorde pousa no limite do ouvido: entre pele e pensamento. “Aquela estrela ali, brilhando no pulso”, ela sente: pulsa. E com a ponta do dedo, escreve: a-noi-tece. E ela não sabe o que vai dentro, mesmo se virasse do avesso. Porque é uma palavra. Não é sentimento. É uma palavra para sempre inamovível. E ela é ali: no meio de um nada. E é essa mesma palavra, dura, opaca, para sempre ali, que não deixa passar nada: nem história nem sentimento. Nem silêncio. Ela fica cravada ali, como um grito para sempre ligado. Uma palavra que não cala. É um para sempre escrito, dito, uma voz. Uma palavra: erguida para o alto,

até o fim.

É uma palavra que sangra.

E dói.
E de repente,
silencia.
(o último respiro).

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