Não leio muitos livros que acabam nos cinemas, mas esse eu vi o filme e depois li o livro: foi mais fácil para mim. Sou do tipo que, depois que lê, não consigo ver o filme. Tudo que criei se esfarela, e me deprimo. Uma exceção que deu certo: a trilogia do Stieg Larsson, Millenium. Mas a versão sueca.

Pois bem: “O cavaleiro do telhado e a dama das sombras”, de Jean Giono (originalmente lançado em 1951, “Le hussard sur le toit”).

“Ele comeu um ovo e uma fatia de toucinho com quatro pedaços de um pão grande e muito branco que lhe pareceram leves como plumas. A mulher agitava-se agora muito maternalmente ao seu redor. Surpreendeu-se por suportar tão bem o odor de suor e até mesmo a visão dos grandes tufos de pelos ruivos das axilas que ela revelou ao levantar os braços para arrumar o cabelo”.

Gosto de tudo que tenha cheiro e gosto. Até mesmo dos fedorentos e dos amargos.

O romance se passa na França do século XIX, devastada pela epidemia de cólera. A putrefação e a morte impregnam as páginas e as linhas, em decomposição. Mas há telhados. E tudo que faz com que nós estejamos mais perto do céu. Tudo que nos faça ir além de nós mesmos.

(Reprodução quadro de Vincent Van Gogh)

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