Porque tão importante quanto a literatura é a filosofia. E Derrida e Lévinas são duas grandes paixões.

Não ousaria aqui tentar explicar as correntes que arrastam seus escritos até aqui, mas digo apenas: leiam, nem que seja apenas esse texto, que está em “A escritura e a diferença”. Não falemos aqui da desconstrução, da escritura, do traço ou da diffèrrance, conceitos tão caros à Derrida. Nem das totalidades, infinitos e rosto, de Lévinas. Leiamos apenas essa “Violência e Metafísica”, e deixemos que “a possibilidade da pergunta” nos transcenda. Nos atravesse.

Derrida desenha rapidamente, de Husserl à Heidegger, um pouco da ontologia e da fenomenologia, para chegar à Lévinas. E Emmanuel (gosto tanto desse nome!), traz a imensa solidão da relação com o Outro. “Se pudéssemos possuir, agarrar e conhecer o outro, ele não seria outro. Possuir, conhecer, agarrar são sinônimos do poder”.

O texto abarca helenismo, judaísmo e humanismo. A violência direcionada a um rosto. Porque a violência tem como alvo, sempre, o rosto: do outro.

Aquilo que o outro é, na concretização do seu rosto, é o infinito, a experiência (im)possível.

Somos capazes de ver o outro como realmente outro?

(créditos do quadro: Elliot II, de Graham Flack)

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