Palavras perdidas:
selvagens,
nas savanas, minha caneta:
não encontro nem sílaba nem ar.
Das árvores pendem pensamentos famintos,
minha garganta cortada,
meu sangue tomado, nesse continente perdido.
O verso dança numa língua pisada:
nessa terra tensa, nesse verde verde.
Meu verso veste a pele de suas caças,
pinta no corpo o sangue de outra carne,
meu verso é poema sangrando dessa áfrica dentro,
nesse escuro de mim.
Esse furor de um mundo secreto.
A palavra que pulsa aqui,
é tambor que acorda noites,
peles noturnas.
Esse meu poema é de pés no chão,
de sangue índigo,
de voz escura,
poema esquecido nos primórdios do mundo.
Talvez falasse de amor.
Talvez,
de liberdade.
Já não lembro.

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