Anoitece entre nuvens e silêncio
uma tarde estranha:
bocas, olhos, e alguma aridez.
A água que corre assim,
do céu para dentro,
do alto para agora,
de um hoje para sempre.
Entre as mãos,
de movimento e pressão,
pensamento e sonho,
as curvas,
o molde,
o corpo e os desvãos,
vamos.
As mãos não esquecem os medos e as dores,
nem mesmo alguns humores,
e cresce aqui e ali,
pratos,
fomes,
e molduras puras.
É que,
entre os dedos,
a chuva escorre,
a terra molhada toma forma
dos teus seios
do teu jeito.

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