Dias cinzas combinam com pensamentos azuis, cheirando a mar.
Regadas a vinhos, vozes em versos deslizam em garfos e copos.
Descrentes,
as nuvens ignoram a chuva.
Nós,
do mundo giramos à mesa,
contamos vidas,
cantamos fados,
gastamos horas em coisas assim:
levezas.
Para dias cinzas,
o sopro morno do beijo,
o calor da panela a cozinhar distâncias,
as fomes todas bem organizadas:
pimentões,
tomates,
cebolas
(azeitonas coentro pimentas, verdes, vermelhos, amarelos).
Vi,
entre as camadas coloridas e suculentas,
pedras,
lava,
magma:
de tudo,
se fez mundo.

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